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Sobre Jacob do Bandolim, seu legado e o porquê ser músico...

My Media      quarta-feira, 2 de setembro de 2015

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Jacob do Bandolim

Olá queridos amigos, colegas músicos e apaixonados pelo bandolim e pela música brasileira, hoje escrevo uma pequena reflexão que faço diariamente sobre o "Porque ser músico"?

 

Por quê ser músico?

 

Esta pergunta que me faço todos os dias me leva a infindáveis possibilidades de respostas, desde as mais jocosas e brejeiras até as mais complexas e aprofundadas perspectivas, partindo dos mais diversos pontos, ou seja, é uma pergunta que, ou será nosso Santa Graal, ou nos deixará loucos varridos na poeira de tantas respostas... 

 

O pensador - Por que ser músico?

 

A questão a meu ver, não é achar uma resposta pra essa pergunta e sim, achar a minhas respostas, ou as minhas respostas, uma vez que desde o princípio da minha vivência musical, aprendi uma lição muito importante de um amigo que talvez nem saiba que proporcionou isso pra mim! Pois é Mr. Moysés Lopes, se tu estiveres lendo este texto, saiba que a maior aula de música de todas, eu tive contigo em 2003 ou 2004, lá em Canasvieiras, durante a turnê que preparava a segunda sessão de gravação pra finalizar o primeiro disco da Camerata Brasileira

 

 

Estava eu estudando como um condenado, "escalas para cima e para baixo" (piada interna!) e tremendamente apaixonado pela mudança que a minha visão de bandolim e de música tinha dado um ano antes ao conhecer a música de Hamilton de Holanda. Claro que eu do alto dos meus 2 anos tocando bandolim, jamais conseguiria atingir a capacidade musical, técnica ou conhecimento, experiência de um músico do quilate do Hamilton, mesmo assim, quando a gente é guri novo, a gente baixa a cabeça e não quer nem saber de nada. Sendo assim, lá estava eu, quando de repente o Moysés parou ao lado no pátio e disse (lembro como se fosse hoje!):

 

"- Ferrari: tu tá desperdiçando teu tempo querendo tocar rápido e tá deixando de lado uma coisa que poucos músicos tem e que tu tens de sobra: o teu fraseado é bonito!"

 


Rafael Ferrari e Moyses Lopes Camerata Brasileira Recife 2006

 

 

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Eu não entendi muito bem o objetivo daquele comentário, afinal, eu queria era a exuberância, a velocidade, a destreza do Hamilton... aí eu não dei muita bola e ele insistiu, me dando assim a maior lição de música que já tive na vida!! Disse ele:

 

"- Tu tem uma coisa que nem o Hamilton de Holanda tem, e eu acho que tu deverias trabalhar isso."

 

Pois eu lembro de ter parado de tocar, naquele instante, de ter olhado pra ele e ter rido da cara dele como quem diz (em pensamento): "Ah tá! Tá tirando onda com a minha cara ô bunda mole!!" Pois claro, eu com apenas 3 anos de música, 2 de bandolim, e apenas 23 anos de vida, tinha sim, uma coisa que o mestre Hamilton de Holanda não tinha!! Claro...! Mas a moral é que eu não entendi a profundidade do que ele queria dizer, e ele com toda sua perspicácia e experiência insistiu mais uma vez, dando sua última cartada pra ver se eu, o idiota da cena, percebia realmente o que ele queria me dizer. Ele disse, e já saiu de cena rapidamente:

 

"Tu tem uma coisa que nem o Hamilton de Holanda tem:

 

 

SÓ TU, É TU."

 

 

>> Veja o vídeo de Doce de coco de Jacob do Bandolim, na íntegra:

 

 

Não! Eu não grifei e aumentei a letra por que ele gritou, mas sim porque essa foi a minha maior lição sobre música em toda a minha vida. Ainda hoje, com 16 anos de vivência na música, sendo 13 como profissional, nunca tive uma aula sequer ou nenhuma lição maior que essa que me orientasse na minha caminhada musical, nas minhas escolhas e no traçar o caminho do que eu quero fazer artisticamente da música e consequentemente, da minha vida.

 

E por que eu contei esta historinha pessoal? Primeiro, porque ela me acompanha diariamente e agradeço ao Moysés Lopes pelo incentivo lá atrás. Segundo por que hoje li no Facebook, uma série de comentários que me deixam intrigados a respeito do que as pessoas enxergam pras suas vidas, sejam na música ou fora delas, e como elas definem o que elas realmente querem ser, fazer e como irão interagir com a humanidade ao seu redor. Como vão fazer a diferença pros mundo: de forma positiva ou negativa?

 

Respondendo então, a pergunta de o porquê ser músico, eu me deparo com milhares de possibilidades e sentimentos que me levariam a inúmeras respostas e cada uma delas poderia me levar pra um lugar diferente no rumo da minha vida pessoal, antes mesmo de falarmos em música ou na profissão! Sendo assim, eu percebo que o único motivo pelo qual sou músico é que eu me emociono profundamente vendo a forma como algumas poucas pessoas, conseguem com suas existências, influenciar e emocionar, fazer a diferença nas vidas de outras pessoas. Eu já me perguntei qual é a utilidade de um músico? Ele não salva uma vida em perigo como um bombeiro, ele não salva uma vida em risco como um cirurgião, ele não planta o alimento que faz com que nossos corpos se mantenham vivos e com energia, o músico não constrói uma ponte que possibilita duas cidades de coexistirem, ou tem o conhecimento para erguer um prédio onde mais pessoas poderão habitar, ele não leva água aonde tem seca, ele não acaba com guerras, ele não leva um produto, um bem material útil às vidas da gente...

 

 

 

 


Por quê ser músico? Tocando Bandolim

 

E aí vem a grande descoberta: o músico serve para fazer tudo isso e muito mais, pela humanidade. Simplesmente porque o músico mexe com os sentimentos mais profundos do ser humano. O músico é responsável por conversar diretamente com a alma humana, por muitas vezes, evitar a doença que o médico precisa curar, pra transformar pessoas em seres mais bondosos e evitar guerras e discórdias, pra unir cidades, idiomas, credos, culturas, sexos, nacionalidades, línguas, diferentes sem precisar de uma letra sequer. 

 

A música é responsável por salvar vidas de crianças e adolescentes em situação marginal quando essa possibilidade lhes é dada, a música embala os romances, dá emoção a uma cena (seja no cinema ou na vida real), a música inspira a viver, a música edifica as relações criando alicerces perenes entre os humanos, a música simplesmente mexe com o que nenhum especialista consegue mexer, de forma tão arrebatadora: a música mexe com as emoções mais íntimas de um ser humano! Então porque eu sou músico!? 

 

 

>>Ouça o CD DEIXA ASSIM da Camerata Brasileira, gravado em 2004 em Porto Alegre/RS:

 

 

Pra emocionar as pessoas. Da mesma forma como eu me emociono com outras pessoas que fizeram ou fazem a diferença. Eu poderia citar Steve Jobs, Jacob do Bandolim, Chiquinha Gonzaga, Albert Einsntein, Michael Jackson, Zumbi dos Palmares, Leonardo Da Vinci, Ludwig Van Bethoven, e tantos outros com quem me emociono lendo suas histórias, pesquisando suas trajetórias ou simplesmente consumindo o legado que deixaram para nós através de suas inventividades e principalmente, coragem!

 


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Rafael Ferrari

Sobre o autor

Rafael Ferrari é bandolinista, compositor gaúcho. Já tocou ao lado de feras como Hamilton de Holanda e Toninho Horta e há 15 anos dedica-se a estudar, criar conteúdo e ensinar bandolim.

 

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