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Receita de samba (Jacob do Bandolim)

Rafael Ferrari      terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

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Receita de samba (Jacob do Bandolim)

 

 

Clássico do repertório do bandolim brasileiro, este choro de Jacob do bandolim, foge às regras dos choros tradicionalmente ditos como 'autênticos' com suas duas partes, ao invés de três!

 

Vê-se aí uma prova cabal de que o tradicionalismo de pensamento só bitola e mascara a verdade sobre o que quer que estejamos presenciando. Os puristas, tradicionalistas ou 'autênticos' tendem a ser uma espécie fanáticos religiosos, nutrindo um amor platônico inexplicável, por uma coisa - no caso o gênero musical choro - que eles defendem fielmente, só ter um único formato e defendem a tal existência do 'autêntico', mesmo sabendo nós todos, que o choro é o gênero musical mais genuinamente brasileiro e que começou justamente da transgressão de parâmetros. Musicais, sociais, comportamentais, de classe, de racismo, de status social, e em muitos outros aspectos, o choro foi transgressor. No musical, muito mais, uma vez que se misturou a música, o ritmo e a cultura negra, africana com as melodias, acentos e características primordiais da música europeia mais altamente cultuada nos salões imperiais da época (metade do século 19).

Sendo assim, este escândalo de misturar a "mais alta e considerável arte europeia com a menos considerada e na verdade, nem cultura considerada, arte dos negros, para criar um gênero musical totalmente novo - no caso o choro - foi talvez a maior transgressão de costumes do povo brasileiro. O maior exemplo de que a "tradição" e o que é dito "certo", precisam ser colocados à prova do gosto do povo! 

Uma vez proposta essa mistura, essa transgressão total, tiveram Chiquinha Gonzaga e Joaquim Callado, lugar de destaque na história. Callado por ser negro, artista, e circular desde a plebe às mais altas salas e casas de autoridades imperiais, tendo recebido a maior honraria do Império Brasileiro da época - então o ano de 1879, 1 ano antes de seu falecimento - que foi a Ordem da Rosa.

Callado compôs em 1873 o 'Lundú característico', música que foi a primeira de cunho "popularesco" a ser apresentada num concerto em um importante teatro do Rio de Janeiro. 

Callado fez tanto sucesso após esta apresentação, que foi nomeado para a Cadeira de Flauta do Império, no Conservatório de Música!

 

Chiquinha Gonzaga por sua vez, era mulher, uma das primeiras da história a exigir separação de seu casamento arranjado. Era filha de um general do Império Brasileiro, pianista, visitava regularmente e, escondida de seu familiares, as senzalas dos escravos para aprender seus ritmos e acentos. Compôs a primeira música carnavalesca do Brasil - 'Ô! Abre alas!' - criou a SBAT (Associação Brasileiras e Autores Teatrais) que foi a primeira entidade criada para proteger e repassar devidamente os direitos autorais dos compositores e criadores do teatro de revista da época. Propôs com seu 'Corta-jaca' um verdadeiro estudo da fusão de ritmos e acentos africanos e europeus.

Chiquinha teve em toda sua obra, a marca da inovação e da transgressão, dentro e fora do palco, musical ou socialmente, sua personalidade sempre foi a de quebrar os parâmetros repetitivos e cansados de sua época e propor novos caminhos e perspectivas.

 

Ou seja, mesmo observando a obra de mestres como Henrique Alves de Mesquita e Mário Álvares da Conceição, vemos o caráter inovador pois tudo que fizeram era novo, era uma mistura de gêneros, de sotaques, era a criação de novos caminhos para uma música que ainda nem existia direito e que, mais tarde, somente depois das composições de Pixinguinha, é que foram definidas como choro.

 

É claro que neste processo de colocar um rótulo no gênero, foi preciso definir uma estrutura básica que o definisse e aí veio o aspecto dos 16 compassos em cada parte, das três parte, da forma rondó, etc...

Este não é o problema! O problema é que os 'autênticos' platônicos do choro, só enxergam esta forma arcaica como possibilidade. E quando falo arcaica, não estou denegrindo o gênero, estou me referindo aos mais de 150 anos de vida que tem - antes que me interpretem maldosamente de maneira "equivocada"! - e tentando mostrar que vivemos tanto tempo depois, com aviões, internet, iPhones, trem bala, televisão 8k, e informações que já são muito, mas muito diferentes daquele tempo, o que mostra que precisamos cultivar o passado, fazendo naturalmente o que viemos aqui fazer: viver o presente e construir para o futuro.

É inadmissível um 'chorão autêntico' compor choros em 2 partes. É inadmissível colocar #9 ou acordes maiores com 6/9 em suas composições. É imprescindível manter SEMPRE a forma rondó em suas composições. Quer dizer, melhor ainda: não compunham! Afinal, tudo que deveria valer apena, já foi feito e todos nós não passamos de inúteis na linha do tempo, então, não precisamos fazer mais nada. Vamos apenas colocar os discos de Jacob e Pixinguinha pra tocar sempre que nos contratarem para um show, afinal de contas, não servimos pra nada uma vez que não somos 'autênticos', somos apenas réplicas mal feitas que em nada contribuímos e não podemos ter nossa voz para fazer nossa música!

 

Bom, vamos ao estudo!

 

Assista ao vídeo 


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