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Posicionamento da mão esquerda no bandolim (digitação)

Rafael Ferrari      terça-feira, 20 de setembro de 2016

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Tocando Bandolim

 

Aqui neste artigo eu quero falar de um tema primordial para todo bandolinista que está começando e que, para minha surpresa, é dúvida também de bandolinistas mais experientes: a digitação da escala cromática!

 

Primeiramente quero dizer o por que de estudar primeiro a escala cromática e não, uma escala maior ou já sair tocando uma música, por exemplo. Porque o bandolim, com sua afinação em quintas (E, A, D, G do agudo pro grave) tem uma diferença muito importante para o cavaquinho ou o violão que são afinados em quartas: temos, da corda solta até o uníssono na corda consecutiva e mais aguda, 6 casas para digitar com 4 dedos. Ou seja, temos menos dedos que que temos casas para digitar, necessitando que em algum momento repitamos algum ou alguns dedos, para que possamos completar o cromatismo de uma corda até alcançar a nota da próxima corda.

 

E por quê é importante estudar a escala cromática então, como primeiro estudo para o bandolinista? Porque saberemos com qual dedo devemos tocar cada casa, o que nos ajudará a decidir a melhor digitação sem confundirmos justamente estes saltos e repetições de dedos, quando estivermos tocando uma música qualquer futuramente, pois ao tocarmos uma música, não obedecemos apenas uma escala, ou uma digitação e sim combinações de diferentes escalas com mais ou menos acidentes, saltos, trocas de cordas, repetições de notas, etc...

 

Se tivermos bem estudada a digitação da escala cromática no bandolim, teremos uma facilidade muito maior em enxergar e decidir com qual digitação devemos tocar cada trecho das músicas que aprenderemos pela frente. Outro porque importante é que o bandolim, diferentemente do violão e do cavaquinho também neste aspecto, tem uma digitação mais parecida com a do violino (os dois tem a mesma afinação, porém as posições e digitação muitas vezes são diferentes por conta da maneira como se toca cada instrumento e a própria posição com que seguramos cada um, que é diferente) onde utilizamos a mão bem mais aberta e, além de tocarmos com o mesmo dedo, mais de uma nota, teremos uma maior utilização do dedo 4, o dedo mínimo ou o mindinho, uma vez que as notas, estando um pouco mais longe, forçam que tenhamos que abrir mais a mão e, consequentemente, utilizar mais o dedo 4 pois mesmo escalas que fiquem na primeira posição do bandolim terão que ser tocadas com o dedo 4, como veremos, na 5ª casa exigindo maior abertura da mão que digita na escala (a esquerda para os destros) mesmo que não estejamos utilizando o dedo 4 ainda! :)

 

Bueno! Vamos lá

 

Primeiramente vou avisar que todos os exemplos sempre serão dados para os destros, ou seja: mão direita para palheta e mão esquerda para digitação na escala do bandolim.

 

Aqui um exemplo de como indicaremos os dedos da mão esquerda:

 

Como pudemos observar, numeramos os dedos da mão esquerda como

 

1 - indicador

2 - médio

3 - anelar

4 - mínimo/mindinho

 

A saber, a escala cromática, que ensino sempre como Escala Cromática Enarmônica, é a escala onde todas as notas sucedem-se por intervalo de semitom, ou seja, partimos de uma qualquer e até finalizarmos a escala, não deixamos nenhuma nota de fora. A esse movimento de semitom em semitom, na música, damos o nome de cromatismo e por isso, chamamos de escala cromática!

 

Vou colocar aqui em baixo, com base na sucessão natural dos sons, a escala cromática começando pela nota Dó (C) para você observar:

 

 

 

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Como tu podes ver, algumas notas possuem dois nomes, ou seja, tem o mesmo som! A isso damos o nome de enarmonia. Estes são os sons enarmônicos que na prática, são notas com mesmo nome mas com sons diferentes.

 

Se observares ali em cima, a primeira nota, na ascendente é a nota Dó (C) que iramos utilizar aqui, na 3ª casa da 2ª corda do bandolim. Logo depois, um semitom acima - uma casa na frente - teremos a nota Dó sustenido (C#) na 4ª casa da mesma corda. Se continuarmos subindo e andarmos mais um semitom - mais uma casa a frente - teremos a nota Ré (D) na 5ª casa da 2ª corda.

 

Se começarmos pela nota Ré (D) e descermos agora, no movimento inverso - do grave pro agudo - um semitom, teremos a nota Ré bemol (Db). Se descermos mais meio tom, ou um semitom, teremos novamente a nota inicial, Dó (C).

 

Observando esse movimento de subida e depois de descida, temos um mesmo som para a nota na 4ª casa da 2ª corda: C# na subida e Db na descida! A esta situação chamamos de sons, ou notas enarmônicas, pois tem o mesmo som, mas podem ter nomes diferentes dependendo da situação e do contexto musical.

 

Além de descobrirmos todas as notas existentes na música ocidental, que são as 7 notas naturais (C, D, E, F, G, A, B) mais as 10 notas alteradas, sendo 5 sons para essas 10 notas que são enarmônicas entre si (C# e Db, D# e Eb, F# e Gb, G# e Ab e A# e Bb) ou seja, 5 sons diferentes que podem ter 10 nomes diferentes, 2 pra cada som.

 

Agora, que já entendemos o funcionamento teórico da escala cromática, e já conseguimos identificar seus aspectos primordiais, vamos à prática e vamos ver de que maneira devemos tocá-la no bandolim.

 

Um detalhe importante e uma peculiaridade do bandolim, é que todas as cordas tem o mesmo salto, o mesmo intervalo entre si: o salto é de uma quinta (5J ou quinta justa) acima, ou uma quarta (4J, quarta justa) abaixo. Sendo assim, a mesmíssima digitação cromática numa corda, será utilizada em todas as outras cordas do bandolim e o exercício que virá a seguir tem o intuito de posicionar a mão esquerda de forma correta para possibilitar uma digitação mais fácil pra ti, desde o princípio!

 

Aqui as cordas soltas do Bandolim:

 

 

Acima tu podes ver as cordas soltas do bandolim de 10 cordas, sendo a sequência de cordas da mais grave pra mais aguda (ou da que está escrita mais pra baixo em direção a que está escrita no topo da TAB) a seguinte sequência:

 

E - 1ª corda

A - 2ª corda

D - 3ª corda

G - 4ª corda

C - 5ª corda 

 

Sendo assim, é só seguir os números, conforme a casa em que ele está indicando por estar escrito sobre a devida corda. No exemplo acima, sempre cordas soltas!

 

Agora vejamos a escala cromática ascendente, ou seja, subindo do grave para o agudo:

 

PS: Se tu tocas o bandolim de 8 cordas, é só desconsiderar as notas da corda mais grave da tablatura, até a segunda nota anotada na TAB com o número "0". Porém, eu lembro que a digitação cromática é a mesma em qualquer corda. A ordem dos dedos é exatamente igual! :)

 

 

Só relembrando então a maneira como tu vais ler, mesmo que não saiba ler a partitura: vai observar na TABLATURA a nota "0" (zero) pois esta é a corda solta. A partir daí, só seguir a TAB dentro da numeração das casas. Os números que estão sobre as linhas/cordas na TAB, são as CASAS onde você deve tocar. Já os números em azul, colocados abaixo da TAB, são o DEDO com o qual você tem que digitar na casa aonde está sendo indicado na TAB.

 

Como tu pôde ver, a sequência dos dedos, da casa 1 até a casa 6, é a seguinte: dedos  1  1  2  2  3  4

 

Vamos ver agora, na descendente, do agudo pro grave, pois a digitação vai modificar um pouquinho...

 

 

Como tu podes ver acima, a descida da escala cromática é um pouquinho diferente do que a subida, gerando a sequência dos dedos na seguinte forma: 4  4  3  2  1  1

 

Ou seja, agora o dedo 4 é que toca duas notas e no final da sequência naquela corda, aí o dedo 1 faz novamente as duas primeiras casas. E por quê mudar!?

Explico: porque a na descida, toda a movimentação, a força, o sentido dos movimentos está invertido! Sendo assim, eu usei a seguinte lógica pra decidir por essa digitação na descendente: o dedo 4 sendo o mais fraco e tendo menos agilidade que os demais, nós todos, intuitivamente, fazemos mais força ao colocá-lo numa digitação qualquer. Sendo assim, eu percebi com a prática e o estudo, que poderia usar essa força a mais a meu favor, ou seja, força a mais se transforma num "impulso" para a nota seguinte, facilitando o restante da digitação.

 

Também tem o fato que andar pra trás é mais difícil de andar pra frente, portanto, fazemos movimentos diferentes de qualquer forma! Pra mim, e digo pra mim pois eu não me acho dono da verdade. Tudo que estou dizendo aqui foi praticado, estudado e trabalhado com alunos em 15 anos, portanto, é um estudo de caso aonde eu pude verificar comigo e com outros bandolinistas, com bandolinistas que começaram desta maneira e com outros que modificaram da maneira tradicional (subindo e descendo com os dedos 1 e 2 tocando duas notas) e melhoraram sua digitação desta forma! Voltando, se eu toco com o dedo 2 nas casas 4 e 3 na descendente, e logo em seguida viesse o dedo 1 tocando as casas 2 e 1,  eu sinto como se tropeçasse nas notas, o que sujava o som da minha frase cromática.

 

Portanto eu percebi que que esse intervalo entre as duas notas com o dedo 4 e as duas notas com o dedo 1, me davam tempo pra "respirar" entre um movimento e outro, facilitando que eu toque de maneira mais fluida e mais limpa em termos de sonoridade também.

 

Por isso, indico que façam da forma como explico e exemplifico aqui e teste, caso venham fazendo diferente, pra notar a diferença entre as duas maneiras, pra ver se tem algum ganho em termos de desempenho!

 

Minha dica é: coloquem o metrônomo em 60 e toquem 1 nota por clique, mantendo assim o ritmo constante. Se preferirem, toquem um pouco mais lento, SEMPRE com o metrônomo, de maneira a tocar tão rápido quanto consigam manter o andamento e principalmente, tirar um som claro e limpo de cada nota.

Experimentem, na subida, a medida que cada dedo toca uma nota, deixar estes dedos presos na corda até fazer o salto pra próxima corda solta. Desta maneira a mão vai se colocando de maneira a "entender" a postura aberta que ela precisa ter pra que a gente tenha uma boa desenvoltura no bandolim.

 

No mais, estudem, coloquem nos comentários suas dúvidas e seus desenvolvimentos, se estão conseguindo melhorar, se a mão está ficando bem posicionada, etc... Assim a gente troca uma ideia e terei o maior prazer em ajudar a todos.

 

Bom estudo e baita abraço,

 

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Rafael Ferrari

Sobre o autor

Rafael Ferrari é bandolinista, compositor gaúcho. Já tocou ao lado de feras como Hamilton de Holanda e Toninho Horta e há 15 anos dedica-se a estudar, criar conteúdo e ensinar bandolim.

 

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