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O repertório ideal para o iniciante no bandolim

Rafael Ferrari      quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

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iniciante tocando bandolim

 

Faaaaaaala bandolinista, tudo bem!?

 

Bom, hoje eu vou falar de um assunto recorrente nas rodas de alunos e nos grupos, tanto dos alunos do meu curso online TOCANDO BANDOLIM com Rafael Ferrari, quanto nos outros grupos como o Bandolim Brasileiro, grupo exclusivo para bandolinistas, que criei no Facebook e em outros grupos que participo online e offline também!

 

Bom, o lance é que o aluno de bandolim que está iniciando, o iniciante no bandolim mesmo! Aquele que está pegando o instrumento pela primeira vez, fica perdido quanto a escolha do repertório por não conhecer o instrumento, muitas vezes nem o gênero choro, que é o que comumente toca-se mais no bandolim aqui no Brasil. E por conta disso, surge a pergunta que não quer calar: 

 

"Qual o repertório ideal para quem quer começar no bandolim? Qual o repertório ideal pro bandolinista iniciante? Qual o repertório deve escolher, quem é iniciante no bandolim?"

 

E por aí vai...

 

Pensando nisso e aproveitando meus 16 anos de experiência como professor, ensinando bandolim, cavaquinho, violão, teoria musical, harmonia, improvisação, arranjo, composição, eu montei uma lista de 10 músicas que vai desde o basicão do bandolim, praquele bandolinista que pegou o instrumento pela primeiríssima vez e quer já sair tocando algumas musiquinhas, tirando um som do bandolim pra ver qualé que é!

 

Vou te mostrar agora quais são as 10 músicas que eu escolhi, o que elas tem de dificuldade e/ou elementos técnicos que serão a tônica em cada uma, e por que elas são sugeridas na ordem em que são sugeridas por mim aqui.

 

Vamos lá!

 

 

Parabéns pra você é uma cantiga de domínio público e desde muito cedo, já ao completar um ano de vida, pelo menos, a gente escuta essa canção nas nossas festas de aniversário ou nas dos filhos das amigas e amigos dos nossos pais e, talvez, mesmo antes de completar um ano de vida, já a tenhamos escutado mais de uma vez...

Sendo assim, acredito que não exista uma canção mais incorporada por qualquer um, em qualquer parte do mundo ocidental pelo menos, que não conheça - como diria minha mãe - "de cor e salteado" esta melodia!

 

Por isso, se tu estás pegando o bandolim pela primeira vez, sem nunca ter tocado outros instrumentos, esta é a canção ideal para começar!

Alguns aspectos técnicos ratificam esta escolha:

1) É uma melodia muito conhecida;

2) É uma música curtinha e não demanda muito esforço em termos de forma musical;

3) No tom de Dó maior, não oferece grandes dificuldades quanto à digitação, para o bandolinista;

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Parabéns pra você (Domínio Público) partitura

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Serenô (Domínio Público)

Serenô é outra cantiga popular, de fácil assimilação por ter uma melodia muito simples. Porém, a canção tem duas partes e oferece um pouquinho mais de trabalho do que o Parabéns pra você!

 

Mãos à obra então...   


Asa branca é um baião de autoria de Luiz Gonzaga (Gonzagão) e Humberto Teixeira e está tão gravada na nossa memória que é como se fosse uma canção folclórica destas de domínio público que ninguém sabe a autoria e que passa de geração em geração, embalando nossas vidas...

Pois eu acho que é por falar de uma maneira muito simples e direta, da vida do povo sofrido do nordeste do Brasil, por traduzir uma realidade, com franqueza e por ter uma melodia de 'sabor muito popular', que a Asa branca é um clássico que todos conhecemos pelos menos um trechinho!

Sendo assim, contando com uma harmonia muito simples e com uma melodia de fácil assimilação, sem exigir digitações complexas ou saltos de posição, que a Asa branca é nossa terceira escolhida para o início no bandolim.

 

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Asa branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)

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Naquela mesa (Sergio Bittencourt)

Um choro canção que traz toda melancolia e admiração de um filho pelo pai que acabara de ir embora pra outra vida! Um clássico do repertório do choro e que tem um carinho todo especial por nós bandolinistas, por lembrar e exaltar o nosso mestre Jacob do Bandolim!

Falando da parte técnica, ela já abre pra alguns arpejos e para um fraseado que exige a postura correta da mão esquerda, com a utilização correta dos dedos 1 e 3 primeiro, depois a inclusão do dedo 2 na 3ª casa e por último o dedo 4 na 6ª casa, efetivando o estudo da escala cromática para posicionamento das mãos.

Se tu não sabe do que eu estou falando, baixe o livro ESCALAS PARA BANDOLIM e leia a parte onde falo como se toca a escala cromática e porque devemos estudá-la antes de qualquer outra coisa!

Naquela mesa não é uma música difícil mas há que se prestar a atenção à digitação pra conseguir tocá-la bem!

Bora mexer os dedos então...


Jesus, alegria dos homens não é um choro, tão pouco brasileira mas é uma daquelas músicas que soa muito bem e que fica muito boa para se tocar no bandolim. Tem uma melodia que é até que bem conhecida, e evoca um sentimento de paz de espírito. Talvez pelo título, ou por ser de um ícone do período barroco, o que remete a uma época muito especial para a música mundial. Johann Sebastian Bach foi um mestre que cruzou os séculos e esta música mostra isso!

Tecnicamente, ela oferece as tercinas (três notas por tempo) num compasso ternário e com um fraseado que, apesar de não ser muito complexo, nos dá o desafio de tocar vários compassos sem pausas, nos apresenta saltos de quinta onde devemos decidir se usamos dedos diferentes ou o mesmo dedo pra tocar este salto, e mostra momentos onde podemos começar a explorar o trêmulo!

 

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Jesus, Alegria dos homens (J. S. Bach)

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Benzinho (Jacob do Bandolim

Choro muito tocado, do mestre Jacob do Bandolim, tem duas gravações originais do mestre: uma mais rápida e uma mais lentinha, carregada de interpretação, aonde ele brinca com as subdivisões rítmicas e esbanja domínio do bandolim.

Prefiro que pensemos nela da forma mais lenta, assim temos mais chance de acerto e de sucesso na tarefa principal que é tocar bem!

 

Mãos à obra!


Considerado o primeiro choro da história, na verdade é de fato, uma polca! O que isso muda pra gente que vai tocar a melodia, pro solista? Muda em uma questão fundamental que só teremos domínio mais adiante: o sotaque! O "sotaque" soa mais subjetivo para o músico iniciante, mas posso dizer que o ritmo base da música, aquele que compõe seu acompanhamento, influencia o solista nos acentos divisões rítmicas que influenciarão sua interpretação. Como eu disse, um assunto bem mais pra adiante...

Por enquanto o que importa é que mexeremos bastante com arpejos e escalas diatônicas na primeira parte. Na segunda, teremos o cromatismo do início, como uma dificuldade se tu não estou a escala cromática como eu oriento no livro ESCALAS PARA BANDOLIM! E por fim, na terceira parte, arpejos! Palheta alternada, só pra baixo ou só para cima? Tu terá que estudar com mais empenho a ordem das palhetadas, a exemplo do que fazem os violinistas quando estudam e definem sua arcada, que é o sentido do arco de determinada frase!

 

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Flor amorosa (Joaquim Callado)

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Carinhoso (Pixinguinha)

Neste clássico de Pixinguinha, teremos problemas logo na introdução se não tivermos estudado a digitação cromática corretamente.

"- Por que tem muitas escalas cromáticas na introdução professor?"

Não! Porque com a escala cromática é que se define o que eu chamo no livro, de "digitação inteligente". 

A dica é: Comece com dedo 1 no Fá, dedo 4 no Mi bemol e dedo 2 no Ré bemol. O resto é contigo!

O carinhoso oferece notas lentas na primeira parte, o que possibilita explorar o trêmulo!

Já na segunda, frases longas por vários compassos... e no final o trêmulo novamente!


Neste lindo choro de Jacob do Bandolim, feito para sua mulher, Adylia, temos o protagonista: o trêmulo!

É isso! Boa sorte com este ornamento que é marca registrada do grande Jacob.

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Entre mil, você (Jacob do Bandolim)

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Lamentos (Pixinguinha)

Choro muito conhecido e tocado nas rodas, Lamentos nos oferece a síncope, o sincopado, a manemolência, a malícia da música brasileira! 

A síncope/sincopado, pra quem não sabe, é quando se toca a nota acentuada, fora do tempo forte. Sendo assim, a melodia parece ficar toda deslocada do tempo, criando uma polirritmia com a marcação do tempo.

O que faz de Lamentos a última das 10, é justamente a dificuldade em ter o controle rítmico sobre a melodia. Um princípio do que veremos daqui pra frente no repertório, tanto do choro quanto do samba, os dois principais gêneros brasileiros.

 

"Para o alto, e avante!"

 


 

Assista ao vídeo se preferir! 


 

 

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Não se esqueça, caso esteja começando do zero, de respeitar a sequência das músicas e de tocar bem, não tocar muito!

Não importa tocar 10 quase músicas! Há que se tocar uma música apenas, mas muito bem tocada. Só então deve-se passar para a próxima música, até porque se tu quiser sair desenfreadamente a tocar tudo que vê pela frente, vai esquecer da primeira música assim que começar a segunda e isso não é bom, não é mesmo!?

Trabalhe e tenha consciência que na música não existe resultado "da noite pro dia". É preciso se dedicar e aos poucos, trabalhar para ter domínio do bandolim. Da mecânica, da percepção, do fraseado, da digitação, dos ornamentos, do repertório, etc... E isso só vem com a experiência, logo, com o tempo.

 

Pense no bandolim e na música como a tua mulher ou marido. Caso não seja casado(a), pense nos teus pais! Pense se tu - ou teus pais - pediram sua cara metade em casamento logo no primeiro encontro ou no segundo dia após terem se conhecido! Foi assim!? Aposto que não!

Primeiro eles precisaram conviver por algum tempo para, no dia-a-dia, adquirir intimidade, afinidade um com o outro, e aí então, quem sabe, um dia, se casaram...

Funciona com um amigo. Não o convidamos para nossa casa se não tivermos intimidade e não adquirimos intimidade se não convivemos com a pessoa para que o consideremos amigo! 

Com a música é exatamente igual! Todos os dias é preciso encontrá-la, dialogar com ela, conviver juntos, adquirir intimidade. Aí, um dia, tu irá tocar bem. Até lá, estude e trabalhe com dedicação para que esse dia chegue o mais breve possível.

 

Bom estudo!

 


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Rafael Ferrari

Sobre o autor

Rafael Ferrari é bandolinista, compositor gaúcho. Já tocou ao lado de feras como Hamilton de Holanda e Toninho Horta e há 15 anos dedica-se a estudar, criar conteúdo e ensinar bandolim.

 

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