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MSC - Movimento dos Sem Cordas

Rafael Ferrari      sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

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Movimento dos sem cordas Tocando Bandolim
 
Olá amigos bandolinistas, esse post é pra todos nós! Nesse texto que inaugura o blog Tocando Bandolim, venho compartilhar com vocês um pouco do meu sentimento de frustração ao perceber que, em 2016, depois de mais de 100 anos de história do bandolim no Brasil, ainda não temos à disposição aqui no Brasil, um encordoamento decente para nosso instrumento, seja ele de 8 ou de 10 cordas! 
 
Conversando com colegas bandolinistas como Hamilton de Holanda, Jorge Cardoso, Fábio Peron, Edson Woiski, Fernando Dalcin, Caio Vinicius, Elias Barboza, e também com meu luthier, o Régis Bonilha e, depois de já ter experimentado quase todas as marcas de cordas existentes (Rouxinol, Giannini, São Gonçalo, Touro, Torelli, Melodia, Carlinhos, Elixir, Galli, D'Addario...) eu me deparei com dois problemas que vejo ser comum a todos nós bandolinistas sem exceção e principalmente os que tocam o bandolim de 10 cordas, como eu: os encordoamentos que tem disponível no Brasil são de péssima qualidade! Os pontos fracos e fortes desses acessório tão indispensável quanto o sangue em nossas veias:
 
 - DURABILIDADE - As cordas nacionais oxidam muito rápido (a Roxinol dura apenas uma tarde de estudo pra mim!); Quebram mesmo quando novas, já ao colocar a corda e começar a afinar; Os bordões, encapados com revestimento de metal, quebram a corda começa a se despedaçar; O som, quando oxida, fica "xoxo", sem brilho. Um problema sério pois, além de muitas vezes a corda quebrar quando estamos recém afinando ela pela primeira vez, o trabalho de ter que ficar trocando de cordas em períodos curtíssimos de tempo, é um trabalho cansativo e desnecessário que atrapalha o dia-a-adia do músico.
  
 - TIMBRE/QUALIDADE DE SOM - as cordas nacionais em sua grande maioria, são fabricadas com materiais muito ruins, diferentemente das cordas fabricadas na Europa e nos Estados Unidos. Lá existem encordoamentos para cada tipo diferente de bandolim assim como para diferentes tipos de música também. Aqui, são fabricadas com material ruim que deixam seu som sem brilho, sem "beleza". Lá fora temos várias opções de encordoamentos chamados "COATED" que recebem um banho químico que depois de a corda pronta, impede que ela oxide e ainda, não permite que a gordura do dedo entre na ranhura das cordas encapadas (bordões) dando assim, muito mais durabilidade COM SOM BONITO E BRILHANTE, o que as torna, certamente mais caras, porém nos eximem de ter que ficar trocando de corda toda hora. Pra mim por exemplo, qe toco profissionalmente e estudo diariamente, o encordoamento D'Addario EXP77 que uso hoje, dura até 4 meses e em plenas condições pra fazer qualquer trabalho, inclusive gravações!
 
 - TENSÃO - As cordas importadas tem grande vantagem sobre as nacionais, uma vez que são pensadas para durarem bastante e terem sonoridade adequada ao gênero musical ou tipo de bandolim. Legal! Além disso, ainda encontramos diversas possibilidades de bitolas, desde as mais leves até as mais pesadas, além de diferentes combinações entre as bitolas de um jogo. Por exemplo, posso encontrar um jogo com a primeira .011 e a quarta corda .040 ou num outro modelo, a primeira .011 e a quarta corda .036 e por aí vai... Isso faz muita diferença na hora de montar um set de acordo com a pegada e o estilo de cada bandolinista.
 
VARIEDADE - Lá fora temos muitas marcas, cordas de ótima fabricação na maioria delas, e com diferentes configurações não só em termos de tensão/bitola, mas também quanto ao material utilizado. Enquanto a Rouxinol (e não estou pegando no pé! Só que é o exemplo mais recorrente porque é a mais usada hoje.) diz na descrição que é feita com um "metal", lá fora temos toda a especificação do material, se é bronze, phosphor bronze, níquel, e qual a composição, se é 80/20, se é toda de um mesmo material, etc... Isso com certeza dá muitas possibilidades em termos de timbre e sonoridade pro bandolinista. Aqui, as opções somente da D'Addario, que oferece diferentes materiais e tensões...
 
 
 
Cordas Daddario para bandolim

 

- LIBERDADE/PODER DE ESCOLHA - Lá fora temos sites como o StringsByMail já citado, que nos dão a possibilidade de comprarmos cordas individualmente. Isso é fantástico!!! Assim conseguimos ver o que se adapta pra nós e conseguimos montar o jogo ideal, podemos comprar em quantidade maior, as cordas que mais quebram tendo assim um estoque não vai nos deixar na mão. Podemos economizar, comprar apenas oque iremos usar e temos liberdade pra nos adaptarmos a um set personalizado. Já aqui no Brasil... nenhum loja, nem as grandes, vende cordas avulsas por que eles tão cagando pro consumidor! Querem mesmo é que a gente pague pelo que não vai usar e dane-se! O importante é eles lucrarem e azar é o do cliente (leia-se, nós!)! Então...
 
Aqui um exemplo do site www.juststrings.com que oferece muitas opções de marcas, materiais e calibres/bitolas e que tem uma sessão enorme de cordas avulsas! Além disso, ainda tem uma outra sessão chamada "Bulk Guitar Strings" aonde oferece um pacote com 12 (doze) cordas do mesmo calibre. Tudo separado pelo material e pela bitola da corda! Não é demais??
 
 
 
 - PREÇO - "Tá! Mas Ferrari, o preço em dólar é muito caro por que é vezes 3,40 e aí não compensa!" Será mesmo!?
 
 
Um encordoamento EXP77 hoje, no site www.stringsbymail.com custa hoje, 09/06/2016 = U$11,33 (R$38,52 na conversão direta). Este encordoamento durando em média 2 meses - sendo bem exigente e substituindo com medate do tempo que duram pra mim, por exemplo - seria o mesmo que gastar 6 jogos por ano, o que totalizaria R$231,12. Dividindo esse custo por mês, teríamos um gasto de R$19,20 por mês. Com um jogo muito usado hoje da Rouxinol, por exemplo, que custa em média R$13,50 e eu, particularmente e com muito desconforto, trocaria uma por semana - sem contar as que quebram quando está afinando pela primeira vez ou quebram muito rápido - daria um custo mensal de R$54,00 e ainda por cima pra ter uma corda ruim e ter que ficar trocando de corda toda a hora! Ou seja, péssimo custo x benefício de todo o jeito. O que acontece é que quando encontramos aqui no Brasil, o D'Addario EXP77, ele custa R$130,00!!! Beleza! Mesmo assim, se ele me dura 4 meses, eu precisaria trocas apenas 3 jogos por ano, o que totalizaria R$390,00 ou, um custo mensal de R$32,50 que está ainda muito abaixo do custo pra se usar a Rouxinol! Mesmo pagando bem mais caro, 10x num jogo (o que considero absurdo!) valeria apena por todos os aspectos musicais e ainda valeria apena financeiramente! Imagina se esse investimento todo que fazemos dando dinheiro pros gringos, fizéssemos num fabricante nacional que produzisse um jogo de corda realmente bom!
E nem estava falando dos jogos mais simples da D'Addario, que custam metade disso! 
 
 
Cordas D'Addario para bandolim
Preço D'Addario

 

 

Se você quer se aprofundar mais no estudo do bandolim e descobrir os segredos dos maiores bandolinistas brasileiros, conheça o Curso Tocando Bandolim:

Curso Tocando Bandolim

 
CONCLUSÃO
 
Por estes e outros motivos, que os encordoamentos nacionais são muito ruins e também o modelo de negócio aqui é péssimo! Muito se fala sobre proteger o mercado nacional e por isso cobram-se altíssimos impostos, que é pra desmotivar que compremos fora, fomentando assim, o mercado interno. Pelo menos na teoria é assim! Só que não adianta proteger um mercado interno que oferece somente produtos de péssima qualidade, que são totalmente desleixados com os consumidores e preferem fabricar porcarias e vender milhões, do que fazer um produto sério, com qualidade e que seja realmente útil! Ainda o modelo de negócio nos obriga sempre a, além de comprarmos e tocarmos "com o que se tem", a ficar amarrados dentro dos pacotes fechados sem liberdade de escolha em diversas características como citei lá em cima, o que nos favoreceria muito! Se os bandolinistas de 8 cordas já sofrem com encordoamentos ruins, que dirá de nós pobres bandolinistas de 10 cordas!! Como vamos encontrar à venda, de forma avulsa, as cordas que precisamos utilizar no quinto par do bandolim, se o mercado não nos oferece essa opção e se não temos ainda um encordoamento disponível, completo, para o "déizão" !?!?
 
Ou seja, na minha opinião, seria preciso que algum fabricante sério, entrasse no mercado e sentasse pra conversar com um ou alguns bandolinistas igualmente sérios e profissionais, pra ouvir o que a categoria anseia, pra aprender um pouco como é o bandolim brasileiro, que é muito diferente do bandolim italiano, alemão, norte-americano, por exemplo! Pra assim produzir um encordoamento realmente útil para o nosso instrumento e o tipo de música que fazemos. Um fabricante visionário, que pensasse grande e tivesse humildade, fosse empreendedor e ligado no mercado brasileiro, seria pioneiro, abocanharia toda uma classe de centenas de milhares de clientes, acredito eu, e certamente venderia pro exterior pois tem muito bandolinista gringo tocando o bandolim brasileiro, de 8 e de 10 cordas. 
 
Seria necessário termo, inicialmente, um jogo completo para cada bandolim. Futuramente seria legal ampliar para termos mais possibilidades de diferentes tensões/bitolas, cordas "COATED", cordas híbridas para o bandolim de 10, misturando aço e bordões de aço e outra com aço e nylon. Seria legal que pudéssemos comprar cordas avulsas pra poder repôr as que mais quebram - geralmente as primeiras e segundas, ou no caso dos bordões de nylon, estes também pois são mais sensíveis que os de aço - tudo isso aqui no Brasil. Um produto produzido e vendido aqui, com preços realistas, com opções e principalmente, com qualidade! Chega de pagar por porcaria, só porque é o que se tem! Chega de ficar quebrando a cabeça pra ficar improvisando com equipamento caro. Chega de dar dinheiro pros gringos! Vamos gastar aqui, incentivar o nosso mercado e termos facilidade de acesso pra adquirir nossos equipamentos de trabalho, estudo e lazer!
 
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Hoje mantenho parcerias com diversos criadores, independentes, artistas, visionários, empreendedores, produtores de partes indispensáveis do nosso trabalho musical, que criam, desenvolvem e produzem aqui no Brasil e com altíssima qualidade. São eles:
 

Noé Correa (Porto Alegre/RS) - Faz bags personalizado, de alto padrão e hoje está fabricando os tão sonhados cases em fibra de carbono que são ultra resistentes e ultra caros pois só se encontra na Europa ou EUA e ainda por cima não existem pro formato do nosso bandolim! O Noé ainda personaliza com logo, nome, cores, etc... pro case ficar com a personalidade do seu dono. Olha o último que ele fez pra mim, com 1/8 de fibra de carbono:

DaArca Bags e Cases

    

 

Vitor Scatena (Sorocaba/SP) - Faz tarraxas personalizadas, de alta precisão e conforto e ainda por cima, lindíssimas! O cara entrou pra faculdade de engenharia com a ideia na cabeça e ele desenvolve as próprias máquinas, pra fazer peças e produzir as tarraxas. Ainda por cima tem um parceiro que faz um trabalho lindíssimo de "engraving" que pra quem não sabe, são aquelas gravações em metal. Aqueles desenhos em relevo que geralmente é feito em armas de fogo e outros objetos de colecionador. Simplesmente fantástico! Acesse o site e confiram!

 

VS Tuners Machines

 

Ric Cortêz (São Paulo/SP) - Faz captação para diversos tipos de instrumentos de cordas como violão de 6 ou 7 cordas, cavaquinho, banjo, viola e também o bandolim de 8 ou 10 cordas. Tem diversos modelos, com instalação interna (com jack P10) e externa, sem necessidade de furar o instrumento. Também tem modelos com pré amplificador, que podem dar um controle de tonalidade ou volume  pro captador. Gold Pro Captadores no Facebook

 

 

Gold Pro Captadores

 

Jonathan Dalmonte (Porto Alegre/RS) -  Acordeonista talentoso e um engenheiro eletrônico inquieto, desenvolveu um sistema incrível, de captação para acordeom, com 5 microfones de cada lado da caixa do acordeom (piano e baixaria) onde os microfones ficam isolados de vibração através de um sistema com borrachas, oque diminui ruídos e barulhos naturais a esse tipo de microfonação interna dos acordeons, ainda por cima, dando um timbre muito fiel ao som acústico do instrumento. Para o bandolim, desenvolvemos juntos um sistema pra ser usado internamente no bandolim, que vai acabar com o incômodo que é utilizar microfones externos, clamps, suportes que quebram, etc... E ainda por cima, saindo num jack P10 balanceado, ou seja, é só plugar um cabo P10 balanceado e pronto! O bandolim está ligado ao sistema de som, através de um microfone condensador de altíssima qualidade. E o melhor: custará cerca de 3 vezes menos que um DPA4099, por exemplo! Harmonik Microphones

 

 

 

 

Harmonik Microphones

Teste DPA4099 vs Protótipo Nº 1 Harmonik

 

 

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Regis Bonilha Luthier
 
Regis Bonilha Luthier (Jacareí/SP) - Atualmente, o luthier com tenho uma incrível parceria e amizade. Ele faz não somente os meus bandolins, como estamos sempre em contato discutindo e trocando ideias sobre o bandolim, construção, madeiras, acessórios, sonoridade, enfim! Sobre tudo que envolve a arte de fazer e de tocar o bandolim. O Regis é um cara muito simples e fácil de lidar, um profissional interessado em novas descobertas e em arriscar o novo! 
Seus bandolins (e ele faz violões e violas caipiras incríveis!!) tem acabamento impecável, são construídos com madeiras de altíssimo padrão, possuem diferenciais que hoje já estão sendo imitados por outros luthiers de bandolim, como o "sound port" e o "arm rest". Com a sua inventividade e perspicácia, desenvolveu um cordal escavado dentro da culatra do bandolim, acabando com problemas de anos que eu tive, com cordais problemáticos e não funcionais. Além de tudo, esta peça, que agora não mais é uma peça, mas é parte do corpo do bandolim, deu ainda mais beleza ao instrumento.
O mais legal desta parceria é estarmos conectados num ideal em comum e termos sempre disposição pra ouvir um ao outro, numa busca constante pela evolução técnica dos nossos trabalhos, partindo do princípio que duas cabeças pensam sempre melhores que uma só! Sendo assim, o Regis tem hoje um dos melhores instrumentos do Brasil e exporta para fora também, não só um bandolim. Mas um bandolim brasileiro, moderno e ousado. Uma obra de arte que eu tenho a honra de ter em mãos pra emocionar as pessoas. Você pode conferir sua FanPage no Facebook
 
 

 

 

Buenas! É isso então pessoal. Espero que possamos debater a respeito da ideia de termos um encordoamento de qualidade aqui no Brasil. Deixem seus comentários, compartilhem o blog com os amigos nas redes sociais, peça que leiam e comentem aqui sejam eles estudantes, profissionais, professores. Pois isso vem em benefício de todos nós bandolinistas brasileiros!
Quem quiser se inscrever no cadastro que to fazendo pra saber quem, quantos são e onde estão, os bandolinistas brasileiros, clique neste LINK e cadastrem o e-mail pra essa lista ir crescendo e podermos assim, justificar nossos anseios aos fabricantes!
 
 

 

 

 

 

Baita abraço,

 

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Rafael Ferrari

Sobre o autor

Rafael Ferrari é bandolinista, compositor gaúcho. Já tocou ao lado de feras como Hamilton de Holanda e Toninho Horta e há 15 anos dedica-se a estudar, criar conteúdo e ensinar bandolim.

 

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