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O bandolim no mundo


O bandolim moderno é um descendente do Alaúde. Os cordofones semelhantes ao Alaúde tiveram origem na Mesopotâmia cerca de 2000 a.C. Não tinham trastes e eram tocados com um arco ou com algo semelhante a uma palheta. Por volta do século VII, o Oud era já popular na cultura árabe. Este instrumento chegou até aos dias de hoje quase intocado e é ainda utilizado na música popular do Médio Oriente.

 

No século VIII, o al L’Oud (que significa "a madeira" em Árabe) e o Saz (que significa "música" em Persa) foram introduzidos na Espanha durante a invasão Moura e então, teriam seguido até Veneza e ao resto da Europa através das rotas comerciais.

 

Com o decorrer dos séculos o al L’Oud tornou-se no Alaúde. Foram adicionados os primeiros trastes, amarrando cordas de tripa e passou-se a utilizar cordas duplas, surgindo assim o primeiro Alaúde medieval no século XIII. A partir do século XV começou-se a adição de mais cordas, até chegar às 13 cordas no seu auge (6 duplas e 1 simples). Uma das características mais marcantes do Alaúde é o fato de ter o cravelhame (ou a mão como conhecemos aqui no Brasil) inclinado quase 90º em relação ao braço.

 

No século XIII, o Quiterne (ou Gittern, um dos antepassados da guitarra) foi um dos primeiros descendentes do Alaúde. Era feito a partir de um único bloco de madeira, com uma rosácea que cobria o orifício sonoro (a boca) e, geralmente, com a cabeça de um animal esculpido no cravelhame. Tinha 3 ou 4 cordas duplas de tripa que eram atadas ao cavalete.


Por volta do século XIV, no período da Renascença, surge uma espécie de miniatura do alaúde chamada Mandora. Pensa-se que a Mandora terá sido criada para preencher um espaço sonoro nos grupos/conjuntos de alaúdes, sendo também referida como "um Alaúde para principiantes".

 

Muito menor que o Alaúde (cerca de metade do comprimento das cordas), a Mandora tinha 4 ou 6 cordas de tripa (simples ou duplas) e era tocada com os dedos tal como o Alaúde. O nome Mandora deriva da palavra mandorla (que significa amêndoa em italiano) e descreve o formato do instrumento suavemente abaulado. Ligeiras variações da Mandora incluíam a Pandura assíria, a Dambura árabe, a Mandola italiana (1589) e a Mandore francesa (1585). A Mandola italiana distingue-se da Mandore francesa por ter uma afinação por quartas em vez de quintas.

 

No século XVII, já no período Barroco, surgiu o Mandolino, o primeiro descendente da Mandora. Também conhecido como bandolim barroco, é uma versão menor da Mandora com 6 cordas duplas (afinadas por quartas na forma G, B, E, A, D, G) e era tocado com uma pena, palheta de madeira ou com os dedos.

 

Este é o instrumento original para qual Vivaldi escreveu os seus famosos concertos. Para além de Vivaldi, também Scarlatti, Hasse, Hoffmann, Guiliani e outros escreveram peças para bandolim durante o período barroco. O Bandolim tocava juntamente com alaúdes, harpas, cravo e outros instrumentos com arco. Contrariamente ao alaúde, as composições para bandolim tinham geralmente uma única linha melódica e como esta era a mais aguda era fácil ouvir o som do bandolim.

 

O bandolim barroco sobreviveu até aos dias de hoje, com poucas alterações, sob a forma do Bandolim Milanês e do Bandolim Lombardo, ambos com 6 cordas simples.

 

Durante o século XVIII nasceram novas variações do bandolim barroco com mais ou menos cordas, tais como o Bandolim Genovês e o Bandolim Cremonês que tiveram pouco sucesso.

 

Em Nápoles, por volta de 1744, surgiu o primeiro Bandolim Napolitano, revelando algumas influências do Tanbur e do Bouzuk turco. O novo tipo de bandolim era muito mais abaulado, tinha 4 cordas duplas e, como estas eram de metal, estavam presas no fundo do instrumento (de uma forma semelhante à da chitarra battente) para reduzir a tensão no cavalete. No entanto, devido à fraca qualidade das cordas metálicas, a corda mais aguda era feita de tripa. As tarraxas eram ainda feitas de madeira, mas estavam colocadas de uma forma perpendicular à mão do instrumento, ligeiramente inclinado. A afinação era já por quintas, igual à do violino (G, D, A, E), e este era um instrumento para ser tocado apenas com uma palheta.

 

O bandolim "moderno" surgiu só por volta de 1830, no período Romântico, com os melhoramentos na qualidade de construção das cordas. Esta foi a altura em que a família Vinaccia iria mudar o aspecto dos bandolins ao aumentar a escala até aos 17 trastes e ao utilizar tarraxas de metal.

 

Já aqui no Brasil, quem deu origem ao formato que conhecemos hoje, e na maneira de tocar foi o músico Jacob Pick Bittencourt (1918 à 1969), o famoso Jacob do Bandolim. Ele não só adaptou o formato do bandolim, fisicamente falando, como criou uma maneira única de se tocar, inspirado nos fadistas portugueses e na guitarra portuguesa. Seu estilo, mais “doce” com emprego de ornamentos e um som encorpado e claro, o fizeram a maior expressão no seu instrumento e até os dias de hoje é considerado o grande mestre do bandolim brasileiro.

 

No ano 2000, o bandolinista carioca Hamilton de Holanda, então com 24 anos, buscando uma sonoridade mais ampliada, novas possibilidades harmônicas, começou a difundir o bandolim de 10 cordas e com este instrumento, evoluiu mais um degrau na técnica, repertório, na estética e na maneira como o bandolinista brasileiro toca bandolim, contribuindo para a ampliação do reconhecimento que o bandolim brasileiro e o choro - gênero principal deste instrumento no Brasil - possuem no mundo todo.

 

Depois do novo formato do bandolim e mais de 30 discos gravados com o bandolim de 10 cordas, deu-se a chegada de novos e talentosos bandolinistas que vem se dedicando a esta versão do bandolim brasileiro. O cenário é cada vez mais tomado por bons instrumentistas e compositores e o bandolim cresce à medida que novas gerações interessam-se pelo instrumento, pelo choro e pela música genuinamente brasileira.

 

*Texto retirado do site http://ciaesons.blogspot.com.br/

Compilado por Élio Cró – Artigo da Associação de Bandolins da Ilha da Madeira http://www.bandolins-madeira.net/

 

 

Bandolim brasileiro de 8 cordas

 

Bandolim brasileiro de 10 cordas

Bandolim brasileiro de 8 cordas
Bandolim brasileiro de 10 cordas

 

 

 


Rafael Ferrari

Sobre o autor

Rafael Ferrari é bandolinista, compositor gaúcho. Já tocou ao lado de feras como Hamilton de Holanda e Toninho Horta e há 15 anos dedica-se a estudar, criar conteúdo e ensinar bandolim.

 

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