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Hamilton de Holanda: o bandolim do mundo

Rafael Ferrari      quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

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Tocando Bandolim Hamilton de Holanda

 

Hamilton de Holanda, nascido no Rio de Janeiro em 30 de março de 1976, é filho dos pernambucanos José Américo e Iélva Nídia.

 

Seus pais mudaram-se para Brasília quando Hamilton tinha apenas 1 ano de idade, em 1977 - mesmo ano da oficialização do Clube do Choro de Brasília - e lá ele foi criado e teve sua iniciação musical.

Cresceu num ambiente musical de altíssimo nível, tendo convivido com vários músicos hoje da velha guarda, alguns deles, fundadores do Clube do Choro de Brasília, e nomes importantes da música popular brasileira. Dentre estes, craques como o bandolinista Cincinato Santos, o violonista e parceiro de Waldir Azevedo, Hamilton Costa, Pernambuco do Pandeiro, a flautista Odette Ernest Dias, o cavaquinista Six e outros.

 

Sempre em meio a esse ambiente, acabou conhecendo e convivendo com outros craques como Paulo Moura, Armandinho Macedo e muitos outros que vinham à Brasília apresentar-se no Clube do Choro.

 

Tendo começado a tocar o bandolim com 5 anos, quando ganhou o instrumento de presente de natal, de seu avô, já aos 6 anos começa a apresentar-se publicamente tendo destaque ao lado de seu irmão Fernando Cesar.

 

Hamilton de Holanda

Seu Américo (pai de Hamilton) no violão, Hamilton de Holanda (escaleta) e Fernando César (irmão de Hamilton) no cavaquinho


Em 1995 Hamilton teve destaque ao ganhar o prêmio de melhor intérprete no II Festival de Choro do Rio de Janeiro, e o 2º lugar com sua composição “Destroçando a Macaxeira”.

 

 

 


Em 2001, venceu por unanimidade as duas categorias do Prêmio Icatu Hartford de Artes, nas categorias Popular e Erudito. Com este prêmio, ganhou a estadia de um ano em Paris onde começou sua carreira internacional.

 

Sua discografia conta com 30 álbuns, o que dá quase que uma média de 1 disco por ano de carreira. Sua produção é incrível comparada a de outros artistas brasileiros, inclusive artistas do main stream! Isso demonstra uma dedicação e um profissionalismo enormes, gerando resultados em vários âmbitos, que o transformaram no instrumentista número um do Brasil e um dos principais no mundo hoje.

Em se falando de bandolim, da maneira como transformou, popularizou e divulga o instrumento mundo afora, talvez seu sucesso seja apenas comparado a Waldir Azevedo, que em 1951 com Delicado, ganhou o mundo e não parou mais de fazer sucesso, transformando o cavaquinho de um instrumento de menor importância, em uma estrela da música brasileira.

 

 

 
Discografia Hamilton de Holanda

 

Além da quantidade incrível de álbuns lançados, Hamilton acumula prêmios e pioneirismos com seu trabalho, inovando e levando o bandolim brasileiro a um novo patamar.

 

É dele o primeiro arranjo de bandolim de 10 cordas solo, apresentando uma nova possibilidade estética onde o bandolim atua como instrumento totalmente solista, tocando a melodia, harmonia, ritmo, contraponta. Esta estreia se deu no arranjo de Carinhoso gravada no disco Hamilton de Holanda, o primeiro álbum com o bandolim de 10 cordas, lançado em 2001.

 

 

 

 

 

O primeiro disco gravado inteiramente com o bandolim solo, 1 Byte e 10 Cordas, de 2005, também é dele e mostrou de vez a nova estética musical proposta por Hamilton e os novos recursos musicais e técnicos criados por ele para o novo bandolim.

 

Hamilton tem papel importantíssimo na renovação do interesse, principalmente dos jovens, pelo bandolim.

 

 

hamilton de holanda ian coury tiago tunes fernando rodrigues

Hamilton de Holanda ao lado de Ian Coury, Tiago Tunes e Fernando Rodrigues em Brasília

 

No ano seguinte, com o disco Brasilianos, Hamilton renova mais uma vez, se tornando o band-leader de um quinteto incrível formado por baixo, bateria, violão e gaita de boca, imprimindo com suas releituras e composições, uma imagem de artista “pop” digamos! Pop no sentido de popular e de artista que se comunica com os jovens, aproximando o bandolim de um público diferente do público tradicional do choro. Aproximando o bandolim e o choro do público e também dos músicos de jazz. Suas composições e arranjos propõem uma música que explora um Brasil quase que completo em termos de ritmos mas que mixa melodias, harmonias e estruturas de músicas do mundo todo.

 

Além de outros discos solo, Hamilton grava em parceria com importantes nomes da música mundial como o bandolinista norte-americano Mike Marshal (New Words - 2006), com participação do acordeonista francês Richard Galliano em Samba do Avião - 2007, com André Mehmari (Choro da Contínua Amizade - 2007), Joel Nascimento (De bandolim à bandolim - 2009), com Yamandú Costa (Luz da Aurora - 2009), com os venezuelanos do Essemble Gurrufio (Sessions - 2010), com o pianista italiano Stefano Bollani (O que será - 2013), entre outros, culminando com o aclamado Mundo de Pixinguinha, onde visita a obra do mestre do choro, ao lado de alguns destes craques já citados, além dos cubanos Chucho Valdés e Omar Sosa, Wynton Marsalis, Odette Ernest Dias, Carlos Malta e outros…

 

Além das parcerias com grandes instrumentistas em disco, Hamilton já se apresentou ao lado de craques como Hermeto Paschoal, Naná Vasconcelos, Chick Corea, Bela Fleck, John Paul Jones, Richard Bona.

 

Mas é tocando ao lado de grandes cantores que eu considero um dos principais fatores “popularizadores” do bandolim, pelas mãos de Hamilton de Holanda. O fato de Hamilton de apresentar em dueto com grandes e variados cantores e cantoras pelo mundo, coloca não só sua musicalidade e suas invenções técnicas e estéticas para o bandolim, em evidência, como põem o próprio instrumento em igualdade de importância com as vozes, com a palavra, com a imagem icônica que os cantores tem para o público.

 

Isso coloca o bandolim um degrau acima facilitando a percepção da sua música, além de popularizar seu formato, timbre e estética musical mesmo entre os músicos de outros gêneros que passaram a ter uma aceitação maior do bandolim em outros e uma visão mais ampla do instrumento, onde ele não se presta só ao choro.

 
 
Hamilton de Holanda Diogo Nogueira

 

Dos prêmios que Hamilton de Holanda já recebeu ao longo de sua carreira, o já citado Prêmio Icatu Hartford de Artes talvez tenha sido o primeiro de uma lista incrível e que não para de crescer! Só o badaladíssimo Prêmio da Música Brasileira, Hamilton acumula 11 troféus. São 2 Latin Grammy, sendo o de 2015 em parceria com Diogo Nogueira, o primeiro, e agora no final de 2016, o segundo, com o álbum Samba de Chico, levando o troféu de Melhor Álbum de Música Instrumental. Fechando o ano de 2016, levou o Prêmio ECHO JAZZ (equivalente ao Grammy na Alemanha) como melhor instrumentista na categoria “instrumentos especiais”.

 

Essas e outras ações como o disco duplo Caprichos, de 2014, onde Hamilton propõe 24 estudos para o bandolim de 10 cordas, e o disco Alegria de 2016, onde gravou com a Orquestra Sinfônica do Mato Grosso, somente músicas infantis como o tema da Pantera Cor de Rosa, Os Flinststones e Super Mario World, entre outras, ampliam cada vez mais o alcance de sua música e do próprio instrumento.  

 

Sem falar no já aclamado Baile do Almeidinha que hoje, depois de quase 5 anos, é sucesso total, juntando o bandolim à grandes nomes da MPB, colocando a música instrumental num ambiente onde circula um público de jovens, um ambiente de alegria onde as pessoas vão pra dançar ao som de bandolim e de um repertório brasileiríssimo. Fantástico!

 
 
hamilton de holanda yamandu costa rogerio caetano

Da esquerda pra direita: Yamandu Costa, Rogério Caetano e Hamilton de Holanda

 

 

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Por essas e muitas outras é que Hamilton de Holanda é hoje o principal instrumentista brasileiro e, como bandolinista, com certeza um gigante na história do instrumento no Brasil e no mundo.

 

Hamilton é um músico cosmopolita, plural, contemporâneo e ao mesmo tempo saudosista, inventivo, criativo e muito, mas muito inquieto.

 

É inegável que reconheçamos sua importância para a MPB e para o legado do bandolim.

 

Este artigo não tem intenção de gerar brigas ou discussões inúteis que não levam a nada e não contribuem para a música brasileira ou para o bandolim, mas eu gostaria de ouvir a opinião de vocês sobre o que vocês tem por música e como veem a linha do tempo do bandolim, desde o século XIX até Hamilton de Holanda e quais novidades e/ou mudanças vocês acham que ainda vem pela frente!?

 

Baita abraço,

 

 

 

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Rafael Ferrari

Sobre o autor

Rafael Ferrari é bandolinista, compositor gaúcho. Já tocou ao lado de feras como Hamilton de Holanda e Toninho Horta e há 15 anos dedica-se a estudar, criar conteúdo e ensinar bandolim.

 

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