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Afinação do bandolim 8 e 10 cordas

Rafael Ferrari      terça-feira, 16 de maio de 2017

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Afinação do Bandolim de 8 e do bandolim de 10 cordas

 

FAAAAAAALA bandolinista, tudo certo?

 

Neste artigo vou te ensinar quais as notas da afinação do bandolim. Falarei sobre as semelhanças e as diferenças entre a afinação do bandolim de 8 cordas e o bandolim de 10 cordas.

 

O bandolim é um instrumento de cordas plectradas, ou seja, é um instrumento de cordas que deve ser tocado com a palheta. 

A palheta consiste num pequeno pedaço de um material rígido, geralmente em formato triangular, com uma base mais larga e uma ponta mais fina e serve para que, com esta ponta mais fina, possamos tocar as cordas do bandolim.


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Palhetada Estilo Jacob

Função da palheta: tocar as cordas do bandolim

 

As cordas do bandolim sendo feitas de aço e tendo uma escala de dimensões reduzidas - apenas 35cm entre a pestana/traste zero e o cavalete - torna impossível que o bandolinista consiga tirar som do bandolim com as unhas, como no violão. Por conta disso, torna-se indispensável o uso da palheta.

Cada bandolinista tem preferência pelo material, espessura, tamanho e formato da palheta. Esses detalhes são fundamentais para a construção de uma sonoridade particular para cada bandolinista.

 
Bandolim 8 cordas Regis Bonilha Luthier

O bandolim de 8 cordas é o formato mundialmente consagrado deste instrumento de origem medieval. 

Descendente direto do Oud, do Alaúde e da Viola da Gamba, o bandolim como conhecemos na parte ocidental do planeta possui 4 pares de cordas, ou seja, 4 cordas duplas. No total são 8 cordas onde a afinação de cada par se dá em uníssono.

 

Leia AQUI, o artigo sobre a história do bandolim

 

Isso quer dizer que a afinação das duas cordas do mesmo par deve ser feita de modo a deixar as duas cordas soando a mesma nota, na mesma altura. Não é como na viola caipira ou em alguns alaúdes, por exemplo, em que alguns dos pares de cordas possuem cordas afinadas em oitavas diferentes. No bandolim cada par é afinado em uníssono e a afinação é a seguinte, do agudo pro grave (da 1ª para a 4ª corda):

 

1ª E          2ª A          3ª D          4ª G


Já o bandolim de 10 cordas, aqui no Brasil, foi experimentado pela primeira vez na década de 80 pelo baiana Armandinho Macedo, também conhecido pela sua inovadora e 'nervosinha' guitarra baiana. 

A guitarra baiana é herança de seu pai Osmar Macedo, inventor junto com Dodô - a famosa dupla Dodô e Osmar - do Trio Elétrico do carnaval baiano. Osmar inventou aqui no Brasil, ao mesmo tempo que Les Paul fez nos Estados Unidos, na década de 50! Osmar criou uma guitarra elétrica rudimentar na qual usava como distorção um rádio velho sintonizado fora de estação...

Uma curiosidade é que anos depois, Les Paul soube do feito de Osmar e veio ao Brasil e presenteou-lhe com uma de suas famosas guitarras Les Paul! Este fato me foi contado pelo próprio Armandinho em um jantar, certa vez em Porto Alegre. 

O fato é que a guitarra baiana desde sempre, possuiu 5 cordas com afinação em quintas, como a do bandolim: 1ª E, 2ª A, 3ª D, 4ª G e 5ª C mantendo então o ciclo de quintas justas. Deste fato é que veio a ideia de Armandinho para o bandolim de 10 cordas (5 duplas) que na ocasião, acabou não ficando um instrumento tão bom e Armandinho o abandonou.


Bandolim 10 cordas Regis Bonilha Luthier

CD Hamilton de Holanda 2001

Anos mais tarde, em 2000, o bandolinista carioca Hamilton de Holanda mandou fazer um instrumento com as mesmas características e em seguida, em 2001, gravou seu primeiro álbum com o 'déizão'. Desde então, um sem número de novos bandolinistas tem se encantado pelas possibilidades do 10 cordas brasileiro. Não só aqui no Brasil, mas fora também inúmeros músicos vem elegendo o bandolim de 10 cordas como seu principal instrumento. 

 



Canal Tocando Bandolim YouTube

 

No que diz respeito a afinação do bandolim de 10 cordas, ele mantém as características do bandolim de 8 cordas tendo agora 5 pares de cordas duplas e por isso, carinhosamente apelidado de 'déizão'! 

O 5º par de corda segue o salto de quinta justa abaixo como no bandolim de 8, ficando portanto, afinada na nota C (Dó).

Para entendermos melhor onde esta nota se situa, ela é a mesma nota Dó da 4ª corda do violão tenor (C, G, D, A) ou da mandola italiana (C, G, D, A) ou ainda podemos dizer que é o Dó central do piano. Ou comparando com o violão, é a nota Dó da 5ª corda tocada na 3ª casa.

Também podemos fazer a comparação que mais se parece clara que é a do violino e da viola de orquestra. O violino e a viola são também afinados em quintas, do grave pro agudo, exatamente como o bandolim.

 

Afinação do violino (do grave pro agudo) G, D, A, E

Afinação da viola (do grave pro agudo) C, G, D, A

 

Ou seja, a viola possui o Dó do 5º par do bandolim de 10, mas não possui o Mi da 1ª corda! No caso, o bandolim de 10 engloba as extensões dos dois instrumentos: do violino e da viola ou do bandolim e da bandola.

 

É importante observar que nos instrumentos de cordas, os sons mais graves são gerados por cordas de calibre mais alto, ou seja, cordas mais grossas e pesadas em termos de tensão. Assim como de escala mais comprida! Já o bandolim de 10 cordas mantém praticamente o mesmo tamanho de caixa, ficando ligeiramente maior, porém a escala não cresce e continua com os tradicionais 35cm de comprimento.

Isso quer dizer que é mais difícil encontrar encordoamentos que se encaixem perfeitamente para esta nota Dó, em termos de calibre de corda, em função da escala ser muito pequena para este som.

Acredito que este é o limite aceitável para o som mais grave que um bandolim pode suportar e qualquer outro acréscimo de cordas exigiria um aumento substancial no tamanho da estrutura do bandolim, tanto na caixa como e, principalmente, no comprimento da escala. Simplesmente acrescentar cordas a mais no bandolim de 10 cordas seria uma coisa inútil e deixaria o instrumento muito desequilibrado e com esta nota grave com som "xoxo"!

 

 

 

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Bueno meus amigos e amigas, eu espero ter ajudado a esclarecer sobre a afinação do bandolim de 8 e no bandolim de 10 cordas e espero que vocês consigam afinar corretamente o instrumento para suas tocadas!

Existe aquela piadinha infame entre os bandolinistas - e acho que dentre todos os instrumentistas que já vi citarem esta piada, aos bandolinistas e violeiros é que vejo maior coerência e propriedade pra usá-la! rsrsrsrs - que é a seguinte:

 

"O bandolinista passa metade da sua vida tentando afinar o bandolim.

- E a outra metade?

A outra metade ele passa tocando desafinado mesmo...!"

 

Se vocês tiverem dúvidas, sugestões ou pedidos de conteúdos, deixem nos comentários que eu leio e respondo todos!

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Baita abraço,

 

 

 

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Rafael Ferrari

Sobre o autor

Rafael Ferrari é bandolinista, compositor gaúcho. Já tocou ao lado de feras como Hamilton de Holanda e Toninho Horta e há 15 anos dedica-se a estudar, criar conteúdo e ensinar bandolim.

 

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