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Acordes para o bandolim

Rafael Ferrari      quarta-feira, 21 de setembro de 2016

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Acordes para bandolim

 

Em mais este artigo, quero te mostrar de maneira simples e objetiva, sugestões de posições para os acordes no bandolim de 8 de 10 cordas.

 

Muita gente estuda os acordes tentando decorar de uma única vez, dúzias e mais dúzias de posições que não vai se lembrar quando precisar tocar uma música, pelo simples motivo que "decoreba" é uma coisa inútil, superficial, que te faz ter muito mais trabalho do que quando tenta entender, e que te deixa as informações sempre frágeis na tua memória, fazendo com que tu esqueça rápido e não tenha nenhuma associação com nenhuma outra informação ou prática no instrumento, que te ajude a lembrar daquilo, afinal de contas, tu apenas decorou. E não entendeu!

 

Minha dica é: use os acordes aqui mostrados para tocar os acompanhamentos das músicas que tu já sabe solar hoje! Na verdade, primeiro deveríamos saber acompanhar as músicas que solamos no bandolim, assim como os violonistas acompanhadores deveriam saber solar as músicas que acompanham. Nem sempre é o que acontece! :/

 

Mas, independente do processo que tu tenhas feito pra aprender as músicas que tocas hoje, eu se está apenas começando a conhecer e desvendar o bandolim e quer uma orientação de um método que vai te fazer evoluir com consistência e não vai desgastar o teu estudo, fica a dica: sempre que for aprender uma música nova siga o seguinte processo:

 

1) Ouça várias e várias vezes a música que deseja aprender. Durante dias se for o caso, sem tocá-la, até que saiba cantarolar ou assobiar essa música, mesmo que de uma forma bem rudimentar.

2) Aprenda primeiro o ritmo de acompanhamento: busque saber diferenciar se é um choro, um samba, um maxixe, uma milonga, uma valsa, etc...

3) Aprenda a harmonia e faça o acompanhamento da música.

4) Só então comece a "tirar" (aprender)  a melodia.

 

E por quê isso Rafael!? Muito simples de responder: porque você terá escutado várias vezes a música e portanto, terá conhecido sua forma, os breques, as nuances, saberá quantas partes e repetições ela tem, etc... No segundo passo, você entenderá a rítmica que influenciará em toda a articulação do fraseado melódico e isso lhe será muito, mas muito útil mesmo quando for solar a música! No terceiro passo você colocará em prática a levada rítmica, tocando cada modulação e cada breque, sabendo a harmonia que é primordial para você pensar a interpretação, a improvisação e a composição! Quando finalmente tu fores tocar a melodia, verá que parece que já aprendeu ela antes, pois será muito mais fácil assimilá-la e ainda com a vantagem de que, quando chegar no final dela, já vai ter convivido tanto tempo com aquela música que ela vai fazer parte de ti. Vai aprender ela de uma forma que dificilmente vai se esquecer dela no futuro. Ela estará realmente em você, e não apenas na sua memória superficial

 

 

>>Siga a playlist TOCANDO BANDOLIM no Spotify:

 

 

Muitos vão perguntar, céticos até: "Ah! Mas assim demoro muito mais tempo e decorando eu vou mais rápido e não quero ter trabalho..."  e coisas do tipo!

Bom, pra quem pensa assim eu afirmo que existem dois jeitos de se aprender as coisas, e na música não é diferente:

O jeito Difícil - Fácil  VS  O jeito "Fácio - Difício" (ou o esperto - valioso, contra o malandrão - burro)

 

Vamos começar pelo jeito, infelizmente mais comum e pelo que mais vejo professores e mais professores de música utilizar com seus alunos, muitos dos quais chegam em mim achando ter muitos problemas que em poucas aulas sempre percebiam não ter ou não serem tão graves assim e, que em muitos casos, eram problemas criados por uma didática falha e equivocada! Vamos começar pelo jeito "Fácio - Difício":

 

Este é o jeito onde o professor, pra passar a sensação de que o aluno pega rápido as coisas, cria uma maneira bem superficial e facilitada de mostrar os conteúdos ou ensinar as músicas. Aí o aluno se sente, a curto prazo, todo garboso e pensa que é o novo Jacob do Bandolim! Ledo engano... E isso á uma falsa promessa que a médio e longo prazo faz do aluno um músico medíocre, sem perspectiva, dependente, carente, sem percepção e muitas, mas muitas vezes, frustrado e até o afasta do convívio com a música. E não estou falando aqui que todo aluno tem que se tornar um virtuose no instrumento. Não! Mas ele pode ter um aprendizado básico porém bem consistente, para ter um certo domínio da linguagem musical e do seu instrumento, para que consiga a longo prazo, aproveitar o prazer de fazer música ao invés de ter nela, uma atividade que é mais um martírio do que uma alegria!

 

Então esse jeito é aquele em que o aluno aprende por decoreba e onde, ou por preguiça do aluno, ou por má orientação do professor, o aluno inevitavelmente vai patinar no aprendizado, sem conseguir evoluir numa constante e vai ser eternamente dependente do professor. Se o professor morre, o aluno, ou melhor, o aspirante a músico nunca chegará a ser um músico e morrerá por tabela, pois sem o professor para alimentá-lo, nunca conseguirá "caçar o próprio alimento!" Este tipo de aprendizado te fará saber a curto prazo uma coisa que também a curto prazo vai se esvair facilmente da tua memória. E o mais dramático: não terá nada que te faça lembrar daquele conteúdo ou daquela música porque tu não aprendeste ela, tu apenas decoraste as coisas. Como aquele aluno que nunca vai à aula, estuda o domingo inteiro pra prova na segunda de manhã e quando entrega a prova pra professora, nem lembra mais do que se tratava a mesma!

 

Tu será esse tipo se músico. Sempre esquecerá tudo e não conseguirá evoluir, ou seja, será fácil (pelo menos aparentemente) no início, mas depois, será muito mais difícil pois a cada dia que passa terá que começar sempre do zer, pra aprender uma música terá que decorar tudo do início, bolinha por bolinha, nota por nota, sem entender o contexto e sem perceber as semelhanças que as tonalidades, ritmos, escalas, etc, tem duma música pras outras... 

 

Já o jeito que mais prefiro, o jeito Difícil - Fácil, é aquele que defino como difícil no início por que temos que ir num andamento mais lento e interagir com mais informações e elementos no princípio e depois, a médio e longo prazo, o entendimento te dá uma ferramenta tão poderosa que tudo que já aprendeu, percebeu, experimentou e entendeu te servirá de base pro que vem na frente. Ou seja, te dará entendimento, abreviando o caminho e te dando domínio sobre o assunto, coisa que não acontece no primeiro método que exemplifiquei antes! 

 

Perceba que a música é uma atividade aonde precisamos experimentar as coisas, onde cada elemento precisa ser explorado ao máximo e portanto, repetido, sentido, visto, ouvido, durante um tempo pra que possamos assimilar. Sendo assim, não existem atalhos, milagres ou os famosos "buracos de minhoca" que alguns astrônomos supõem existir, que dobram o tempo e permitem que quem passe através deles, chegue no outro lado, no futuro ou em outro momento do tempo. Ou seja, o que importa é o caminho e não o destino!

 

Você só vai ser um bom músico se pavimentar bem sua estrada, se der passos firmes e se mantiver de pé. Costumo dizer que na música tudo que é aprendido, sem exceção, é base pro que vem na frente e se deixamos algum conteúdo pra trás, não aprendemos direito ou tentamos evoluir mesmo tendo dúvidas, esse conteúdo se transforma num imenso abismo à nossa frente e certamente iremos cair nele! :/ 

 

 

>> Leia o artigo sobre a posição correta da mão esquerda no bandolim:

 

 

Bom, vamos ao que interessa! Vamos aos acordes.

 

Tu sabia que o bandolinista geralmente toca acordes com 3 notas apenas!? É! Mas não se engane! Três notas no bandolim, são 6 cordas vibrando... Então, estes acordes, mesmo que as vezes mais simples em sua formação, soam muito bem e são perfeito pra qualquer ocasião. Acordes de 4 ou 5 notas podem ser feitos sem problema algum e o que vale é o bom gosto na escolha do quando e como utilizá-los no contexto musical.

 

Uma dica importante, principalmente pra quem toca o bandolim de 10 cordas, mas que em menor proporção serve também pro de 8 cordas, é dividir os acordes por zona:

 

 

ZONA 1: acordes tocados nas cordas 3, 2 e 1 (não se toca a 4ª corda)

  ZONA 2: acordes tocados nas cordas 4, 3 e 2 (não se toca a 1ª corda)

ZONA 3: acordes tocados nas cordas 5, 4 e 3 (não se tocam as 2ª e 1ª cordas) no bandolim 10 cordas

  ZONA MISTA 1: Acordes tocados com as 4 cordas no bandolim de 8 (sem tocar na 5ª corda do bandolim de 10)

ZONA MISTA 2: Acordes tocados com as cordas graves do bandolim de 10 (sem tocar a 1ª corda)

  ZONA GORDA: só é possível no bandolim de 10 cordas, e seriam acordes tocados com as 5 notas disponíveis!

 

 

 

Se você quer se aprofundar mais no estudo do bandolim e descobrir os segredos dos maiores bandolinistas brasileiros, conheça o Curso Tocando Bandolim:

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Minha recomendação é que aprendam a tocar o acompanhamento das músicas da seguinte forma:

 

1) Toquem toda a música "X", apenas usando acordes da ZONA 1. Toda a música, do início ao fim, sem nem relar nas demais cordas! Somente com acordes feitos sobre as cordas mais agudas do bandolim.

 

2) Toquem a mesma música "X", apenas com acordes da ZONA 2. Sem relar na primeira corda, nem na 5ª se estiver no bandolim de 10.

 

3) Toquem a mesma música de novo, agora somente com acordes montados sobre a ZONA 3 do bandolim de 10.

 

 

Se tu fizer isso em uma meia dúzia de músicas, bem como eu descrevo aqui, tu vai ver que naturalmente estará entendendo e percebendo os acordes sobre as ZONAS MISTAS 1 e 2 e sobre a ZONA GORDA! Simples assim!! Ao natural, por convivência com a linguagem e com o instrumento e não por decoreba inútil e sem valor.

 

Bueno! Utilizem estas dicas e estes exemplos aqui para ajudar no princípio mas lembrem-se: é indispensável estudar teoria musical para entender e aprender os meios pra se dominar a escala e conseguir montar os acordes, criar suas variações e não ficar preso apenas na "posição", no shape do acorde, como muita gente faz.

 

Se tu tá começando agora, inciando no bandolim e dando as primeira palhetadas, é muito importante a cada acorde tocado, dizer me voz alta o nome dele. Pois de nada adianta reconhecer um amigo se quando encontrá-lo não lembrar o nome! Vai sempre pagar vale (pagar mico)!

 

Mãos à obra então. Bom estudo!!

 

 

Acordes para bandolim 8 cordas

 

 

 

Acordes para bandolim 10 cordas

 



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Rafael Ferrari

Sobre o autor

Rafael Ferrari é bandolinista, compositor gaúcho. Já tocou ao lado de feras como Hamilton de Holanda e Toninho Horta e há 15 anos dedica-se a estudar, criar conteúdo e ensinar bandolim.

 

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